Caminho aberto para erradicar o déficit habitacional do país

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Por João Claudio Robusti

O Brasil poderá erradicar seu déficit de moradias e a habitação popular deverá transformar-se num próspero negócio para construtoras e agentes financeiros. Com este escopo, o SindusCon-SP entregou recentemente ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um estudo contendo dez propostas economicamente viáveis e tecnicamente factíveis.

Elaborado com a FGV Projetos, a partir de uma viagem ao México, o trabalho mostra o modelo bem-sucedido daquele país que promete erradicar em poucos anos o seu déficit habitacional. Foram identificados os pontos fortes, como a facilidade de acesso ao crédito imobiliário, bem como as deficiências traduzidas pela falta de qualidade e de segurança do trabalho nas obras.

Entre as propostas, estão a ampliação da oferta de moradias, a redução da carga tributária na sua construção, e a diminuição da burocracia na aprovação de projetos e na concessão de créditos. Também consta a criação do Renavel, que o governo já está estudando, para a centralização das informações dos registros de imóveis, a exemplo do Renavam, que faz o mesmo em relação aos automóveis.

Três destas medidas, se adotadas, devem aquecer a habitação popular na mesma intensidade vivida hoje pelo mercado imobiliário.

A primeira é a criação de um novo programa do FGTS, para a concessão direta de financiamento aos titulares de contas ativas ou inativas do Fundo de Garantia. Lastreado em recursos do FGTS e subsídios do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, o programa ofereceria crédito pré-aprovado com base em uma sistemática de pontuação do interessado, e proporcional ao tempo de sua permanência no Fundo, ao valor acumulado de suas contribuições, à rotatividade e às características de sua família. Os depósitos futuros em sua conta no FGTS garantiriam a dívida, reduziriam o valor das prestações e acelerariam a quitação.

A segunda medida consiste na criação de um fundo com recursos do Orçamento, que forneceria seguro de crédito aos agentes financeiros. É para cobrir as diferenças entre valores financiados e aqueles obtidos em leilão, no caso de inadimplência, bem como as perdas em impostos, despesas de condomínio e custas judiciais, derivadas do tempo de execução de garantias. Com o mesmo objetivo, novas modalidades de seguro podem ser criadas. Com isso, o risco de crédito dos mais pobres seria igualado ao dos demais segmentos da população.

Por último, no financiamento habitacional para a baixa renda, necessita-se racionalizar a concessão de subsídios. Eles seriam limitados para imóveis de até, digamos, R$ 60 mil, com valor financiado de até R$ 32 mil. Assim, para obter o subsídio máximo, o interessado seria incentivado a buscar um imóvel de valor reduzido, com prestação adequada à sua capacidade de pagamento.

Isso evitaria o superendividamento das famílias e induziria o mercado a desenvolver projetos com custos adequados para esse segmento. Desta forma, com um mesmo montante de recursos, seria possível atender a um número de famílias maior do que as assistidas na atual sistemática de subsídios.

A receptividade do ministro da Fazenda ao receber estas propostas nos deu a convicção de que estamos no caminho para começar a erradicar o déficit habitacional do País.

(*) João Claudio Robusti é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, associado da Fiabci) e vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). O SindusCon-SP é “principal member” da Fiabci/Brasil.

Fonte: Fiabci/Brasil
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Crescimento imobiliário

O índice de emprego formal da construção civil brasileira acumula resultado positivo, nos oito primeiros meses do ano. Até agosto, as construtoras preencheram mais de 163 mil novas vagas, um aumento de 10,5% em 2007. O resultado permitiu ao setor acumular um estoque de 1,715 milhão de trabalhadores, voltando a registrar o nível de emprego ostentado em 1995, deixando definitivamente para trás o longo declínio da atividade sofrido até 2004.

Somente em agosto, o setor incorporou mais 29,5 mil empregados formais, provocando uma elevação de 1,75% no nível de emprego sobre o mês anterior, segundo levantamento do SindusCon-SP e da FGV Projetos, com base nos dados do Ministério do Trabalho. Os dados mantêm o otimismo do SindusCon-SP, que projeta um crescimento de 7,9% para o PIB da construção civil em 2007.

Nos últimos doze meses terminados em agosto, o emprego no setor acumulava crescimento de 8,34% (saldo de 132 mil empregados). Já na comparação do saldo acumulado deste ano com o do ano passado, o aumento é de 7,16%.

Em agosto, o nível de emprego na construção paulista praticamente repetiu o desempenho de julho. Foram contratadas mais 9.343 pessoas em agosto, elevando o emprego em 1,96%. Até aquele mês, o setor registrava aumento anual de 13,26% no nível de emprego (+56,8 mil vagas). Em 12 meses, a elevação foi de 14% (+56,7 mil empregos). No fim de agosto, o setor empregava 485,6 mil trabalhadores com registro no Estado de São Paulo.

Até agosto, a região de Bauru destaca-se no Estado, com um acréscimo de 25,45% no ano, o que representa a inclusão de 3.744 trabalhadores ao efetivo da região. Em Ribeirão Preto, o setor acumula crescimento de 15% no nível de emprego de janeiro a agosto (mais 3.485 operários). Em compensação, a região de Presidente Prudente acumulou modestos 105 novos empregos no ano, alta de 1,93%.

Juntamente com a região de Santos, Presidente Prudente registrou queda no nível de emprego em agosto. As vagas minguaram 0,42% e 0,11%, respectivamente.

O desempenho na Capital paulista manteve o bom ritmo de conbtratações, com a abertura de 4.617 vagas em agosto, ou 2,07% a mais. Os trabalhadores formais do setor na Capital totalizavam 227,9 mil naquele mês. No ano, a elevação atingia 16,8% na cidade de São Paulo e, em 12 meses, 17,9%.

– O nível de emprego na construção civil continua crescendo em todas as regiões do país, com destaque mais uma vez para o Norte, que registrou alta de 3,26% em agosto (+2.801 trabalhadores). No ano, a região já acumula crescimento de 22,6% no nível de emprego do setor.

A menor evolução aconteceu no Nordeste, onde o saldo foi de 1,39% no mês (+4.004 vagas). Na Região Sudeste, o crescimento foi de 1,69%, ou 16.124 postos a mais.


Fonte: Canal executivo


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