Investimento para exportar gás

19:46 Desenvolvimento ES


16/08/2008 - A Gazeta




Gildo Loyola/A Gazeta
Projeto em Linhares integra conjunto de obras que vão ajudar o Brasil a reduzir sua dependência do gás importado da Bolívia

Com o término das obras do gasoduto Vitória-Cabiúnas (Macaé), no primeiro semestre deste ano, o Espírito Santo já tem capacidade para fornecer 20 milhões de m3 por dia de gás natural. Para chegar a esta produção, a Petrobras está investindo US$ 4 bilhões na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTCG), em Linhares, que, até o final de 2009, estará pronta para processar este volume diário de gás.

Considerado prioridade pelo governo federal, o investimento em novos campos de gás foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo é reduzir a dependência do Brasil em relação ao gás comprado da Bolívia, hoje cerca de 27 milhões de m3 por dia.

A necessidade de mais gás já está fazendo com que a Petrobras reveja seu projeto de instalação da UTG Sul, em Ubu, Anchieta, inicialmente planejada para processar 2,5 milhões de m3. A produção deve saltar para 15 milhões de m3.

A companhia prevê investir R$ 400 milhões na primeira fase, mas poderá destinar mais recursos, já que a unidade processará o gás dos campos do Litoral Sul e do pré-sal.

Hoje, no Espírito Santo, cerca de 500 mil m3 são produzidos nos campos em terra e o restante nos campos de Golfinho, Peroá e Cangoá, no Litoral Norte. Até o final do ano, entrarão em produção o campo de Canapu (2 milhões de m3 por dia) e Camarupim (entre 5 e 6 milhões de m3 por dia).

A produção em Camarupim começará com a chegada do navio-plataforma Cidade de Vitória, em novembro. O FPSO está sendo adaptado em Cingapura e tem capacidade para produzir 10 milhões de m3 de gás e 35 mil barris de petróleo por dia.

Visita

A UTG de Cacimbas, onde hoje 3,5 mil pessoas trabalham nos módulos três e quatro, recebeu ontem a visita do governador Paulo Hartung e de empresários. O governador destacou que “aceitou o convite da Petrobras porque é importante para o Estado conhecer os investimentos que a estatal está fazendo no Estado”.

O gerente-geral da Petrobras no Estado, Márcio Félix, disse que as obras de Cacimbas têm grande participação de empresas capixabas. “Compramos bens e serviços de 1.948 fornecedores do Estado, num valor que, este ano, chegará a R$ 2,8 bilhões. Três anos atrás, em 2005, esse valor foi de R$ 1,2 bilhão, o que mostra como a área de petróleo está movimentando a economia do Espírito Santo”, destacou ele.

Gabrielli: Debate não afeta ações

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, atribuiu a queda de valor de mercado da empresa à redução do preço do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas. O executivo considerou que a desvalorização das ações da estatal é um movimento normal do ponto de vista do mercado de petróleo, lembrando que outras empresas do setor, como Esso e Shell, também se desvalorizaram nos últimos dias.

Segundo a consultoria Economática, o valor de mercado da petrolífera brasileira recuou em US$ 97,535 bilhões desde 20 de maio ? data do último recorde de pontuação do Ibovespa (principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo) ?, de US$ 303,676 bilhões em 20 de maio para US$ 206,141 bilhões.

Gabrielli descartou a hipótese de que as discussões sobre um novo marco regulatório para o setor de petróleo no Brasil estejam influindo o movimento de valor das ações da companhia. Para ele, esse debate olha para um futuro mais distante, e as variações de mercado consideram o cenário de curto prazo.

“Até agora não houve definição nenhuma sobre o futuro, e o futuro é que define o comportamento de muitos investidores. E eles estão olhando muito o curto prazo”, afirmou.

Gabrielli disse ainda que é provável que haja uma tendência de queda do preço do petróleo, mas ressaltou que esse movimento não é definitivo. “Vai chegar a um patamar e vai voltar a crescer”.

Maior parte dos projetos está no Norte do Estado

Hoje a Petrobras tem 32 projetos em andamento no Estado, 28 deles localizados no Norte, em terra e no mar. Essa situação deverá mudar daqui pra frente com o início da produção do primeiro poço da camada do pré-sal, em Jubarte, no Parque das Baleias, que fica em frente a Presidente Kennedy. Além disso, os outros quatro campos do Parque das Baleias também entrarão em produção nos próximos anos e o Parque das Conchas, parceria da Shell com a Petrobras e com a estatal do petróleo indiana, começará a produzir em 2009. Para dar suporte às atividades no mar, no Sul, a Petrobras construirá um terminal portuário em Ubu, Anchieta, e uma Unidade de Tratamento de Gás no mesmo local. Segundo o gerente-geral da companhia no Espírito Santo, Márcio Félix, 1.453 pessoas trabalham, diretamente, na Petrobras no Estado, fora os número de vagas indiretas. Estes números devem aumentar em função do crescimento da atividade petrolífera nos próximos anos.



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