Estado se tornará pólo mundial de minério e aço em 10 anos

19:58 Desenvolvimento ES


03/08/2008 - A Gazeta

Com o mercado mundial aquecido, principalmente pela grande demanda de países como China e Índia, a indústria de minério, pelotas e aço do país busca tecnologias mais modernas para melhorar a produtividade, reduzir custos e ampliar mercado. O Espírito Santo se encaixa bem nesta nova proposta e caminha para ser, nos próximos dez anos, o maior pólo produtor de pelotas do mundo associado a uma indústria siderúrgica moderna e competitiva.

Exatamente por reunir o que é considerado hoje como o mais importante para a produção de aço é que o Estado é uma das apostas também no setor siderúrgico. Que condições são estas? Logística portuária, energia (gás natural), ferrovias e o mais importante, minério e pelotas trazidos de Minas via ferrovia ou minerodutos. Além, claro, de uma siderúrgica moderna (ArcelorMittal Tubarão) e projeto de mais uma em Anchieta, além da possibilidade de outra em Presidente Kennedy.

A indústria do aço quer chegar à condição considerada praticamente perfeita para a produção de placas e aços longos: ter, bem ao lado dos altos-fornos as usinas de pelotização. O que se ganha com isso? Tempo, dinheiro e competitividade.

Para transformar pó de minério em pelota, é preciso grande quantidade de energia – hoje, no Estado, usa-se óleo combustível que será trocado por gás natural – para aquecer o minério e depois resfriá-lo. Quando chega à aciaria e depois ao alto-forno da siderúrgica, mais uma quantidade grande de energia para aquecer novamente as matérias-primas que resultam no aço. Depois, novamente aquece-se a placa para transformá-la em bobina a quente que poderá se transformar em aço galvanizado (produto final) ou aquece-se novamente para que as placas se transformem em aços longos ou trefilados.

Otimismo

Para o presidente da Federação das Indústrias (findes), Lucas Izoton, poderemos chegar a produzir 120 milhões de toneladas de pelotas por ano em pouco tempo contando com as três pelotizadoras que a empresa Ferrous pretende implantar em Presidente Kennedy até 2014.

Já o governador Paulo hartung, que também vê com otimismo a descentralização industrial do Estado, o litoral do Espírito Santo, mais o Norte do Rio de Janeiro e o Sul da Bahia se transformarão numa das maiores regiões produtoras de pelotas (conhecidas como pellets) e aço do mundo.

“Claro que isso tudo precisa ser feito observando os critérios da legislação ambiental”, afirmou Hartung. A preocupação com a formação de mão-de-obra local é outra preocupação “porque é preciso evitar trazer de fora os trabalhadores especializados”, argumenta o governador.

Ele concorda que a preocupação com a redução no consumo de energia e na emissão de gases poderá levar a uma otimização entre pelotizadoras e siderúrgicas. “Este é um ponto que ainda precisa ser aprimorado. O que sabemos é que a Grande Vitória não comporta mais uma siderúrgica nem mais pelotizadoras, então, os projetos precisam ir para o Sul ou para o Norte”.

Indústria quer agregar valor

É mais barato e mais competitivo trazer carvão da Ásia ou Europa, e produzir aço aqui.
A necessidade de agregar valor aos produtos é reconhecida pelos empresários e classe política. O Brasil exporta cerca de 300 milhões de toneladas de minério de ferro por ano (pouco mais de 100 milhões via Espírito Santo) e produz apenas 32 milhões de toneladas de aço.

Observando os preços do ferro (em torno de US$ 80 por tonelada) e do aço (pode chegar a US$ 1,2 mil a tonelada), é fácil compreender porque aumentar a capacidade siderúrgica do país é vital.

“Mesmo o Brasil não produzindo quase nada de carvão mineral, que entra na composição do aço, nós temos o melhor minério do mundo, logística para exportar, tecnologia avançada e as minas perto das siderúrgicas. Podemos aproveitar melhor esta situação”, destaca o governador Paulo Hartung.

É mais barato e torna o produto final mais competitivo trazer carvão da Ásia ou Europa e produzir aço no Brasil. AS minas de minério estão próximas às siderúrgicas aqui no país. É o que pensam os investidores da Ferrous, empresa constituída há um ano por fundos de investimentos estrangeiros e que planeja construir três pelotizadoras, um porto e, talvez, uma siderúrgica em Presidente Kennedy, Sul do Estado.

Neste sentido, o Espírito Santo está em situação privilegiada por ter litoral para novos terminais portuários, ferrovia e áreas para investimentos deste tipo. “Podemos nos transformar num Estado exportador de conhecimento, tecnologia e gente especializada”, aposta o governador.
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