Caixa Econômica deve manter-se à frente dos financiamentos imobiliários

18:41 Financiamento Imobiliário

Com o aquecimento do mercado imobiliário, o cenário econômico favorável, a queda dos juros e as exigências do governo - que forçaram os bancos a destinar 65% dos recursos da poupança para a habitação -, as instituições privadas tiveram oportunidade para atrair mais clientes, aumentando a concorrência no segmento. Apesar disso, a possibilidade de a Caixa Econômica Federal perder o posto de maior agente financiador no segmento, posição que lidera absoluta e com folga, é muito remota no curto e médio prazos. A avaliação é do diretor do Comitê de Economia, Banking e Fianças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer.

Segundo ele, o segmento de crédito imobiliário ainda tem muito espaço para crescer e ser disputado pelo bancos privados. “O crédito imobiliário no Brasil ainda é baixo se comparamos com outros países”, afirma. Em 2006, esse tipo de empréstimo respondeu por apenas 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007, a expectativa era de que a taxa chegasse à modesta marca de 2%. Países como México e Espanha apresentaram índices em torno de 11% e 53% do PIB, respectivamente.

Além dos exemplos externos, o mercado aposta na necessidade que o País tem de diminuir - se não acabar - com déficit habitacional de quase 8 milhões de moradias. O volume de unidades demanda um investimento de R$ 115 bilhões por ano nos próximos quatro anos, totalizando investimento total de R$ 461 bilhões, conforme estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas encomendado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O montante poderia fazer o crédito imobiliário responder por 21% do PIB.

Para Storfer, o problema seria resolvido com a ampliação dos prazos de finaciamento. “O déficit está concentrado entre a população de baixa renda ou aquela que ganha até três salários mínimos: R$ 1.140. Esse grupo precisaria de um prazo maior para conseguir pagar uma parcela que comprometesse apenas 20% ou 30% da renda”, avalia.

Esta já é uma realidade na Espanha. O gerente de crédito imobiliário do Santander, Fernando Baumeier, conta que por lá os financiamentos já são feitos em até 50 anos e as operações são realizadas predominantemente por instituições privadas. Ele reforça o coro daqueles que acreditam que o Brasil pode chegar ao mesmo patamar, “mas em longo prazo”. De olho nessa possibilidade, Baumeier aposta em um crescimento acelerado do banco espanhol aqui no País. “Cinqüenta por cento dos ativos do Santander no mundo estão em crédito imobiliário, sendo que o Brasil responde por 10%”, revela.

Fonte: adaptacao de Gazeta Mercantil


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