Nos trilhos da economia: para onde caminha o Espírito Santo
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Rita Bridi - 14 de outubro de 2007
rbridi@redegazeta.com.br
Qual será a vocação do Espírito Santo, daqui a 40 ou 50 anos, quando vier o declínio da produção de petróleo e gás, atividade que, por mais de quatro décadas, será uma importante âncora da economia capixaba? “O Estado será o maior provedor de logística e de serviços do país”, resposta que o governador Paulo Hartung tem na ponta da língua.
Construção de novos terminais portuários e de novas ferrovias, além da melhoria, da ampliação e da construção de novas rodovias para adequar a capacidade dos modais de transporte de cargas. São propostas que estão nas agendas de planejamento dos governos estadual, federal e da iniciativa privada.
Entre os projetos, está a implantação das BR 447 e 419, a duplicação da BR 101 e a construção da ferrovia Litorânea Sul e do Porto de Ubu, entre outros . Unificadas, as iniciativas farão do Espírito Santo uma das principais portas de entrada e de saída de mercadorias para várias regiões do país.
A diversificação da base econômica e a ampliação da malha de logística são caminhos para fortalecer a vocação do Espírito Santo como provedor de logística e de serviços, lembra Hartung. “Um Estado de economia robusta e diversificada não corre risco sério quando há o enfraquecimento de um único setor”, explica.
Pós-petróleo. A indústria de petróleo e gás, destaca Hartung, produz dinamismo econômico. Só a atividade de exploração é responsável pela criação de uma forte infra-estrutura, cercada por empresas e prestadores de serviço. Neste pano de fundo, há a geração de receitas com os royalties do petróleo e com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do gás.
Embora de grande importância para o incremento da economia local, a indústria do petróleo, acrescenta o governador, não é garantia nem de riqueza compartilhada, nem de criação de uma base econômica para o futuro.
“Precisamos, no presente, pensar e agir o pós-petróleo e o pós-gás”, pontua Hartung. “É papel nosso pensar e agir no presente com o olhar para o futuro. E uma das bases de sustentação do Espírito Santo é a logística”, afirma.
O futuro do Estado, na avaliação do governador, é ser provedor para Minas Gerais, Bahia, Brasil Central, além de abastecer grandes centros de consumo como Rio de Janeiro e São Paulo.
Preço da evolução. Para se tornar um importante provedor de logística, entretanto, é preciso agilidade, eficiência e custos competitivos.
“A economia capixaba viveu 300 anos sem que nada de extraordinário acontecesse. Tivemos 100 anos da monocultura do café. Agora não podemos deixar passar as oportunidades. Temos que ter um olhar para além do petróleo, que é uma indústria dinâmica, mas que um dia vai acabar”.
Promissora, a área de logística é um dos setores que vai ancorar a economia do Estado por várias décadas, aposta. E o momento de pensar o futuro é agora, aproveitando as oportunidades para diversificar a base econômica do Estado, e também planejar a infra-estrutura de logística.
“A logística é um setor que promete garantir dinamismo interno e que vai ancorar a economia do Espírito Santo nas próximas décadas”
Paulo Hartung - Governador do Estado
Etanol é alavanca para novos portos
O aumento da produção de etanol na Região Norte do Espírito Santo e nos Estados vizinhos de Minas Gerais e Bahia começa a despertar a atenção da necessidade de terminais portuários específicos para o embarque do produto. E o Porto de Barra do Riacho, em Aracruz, tudo indica, será a principal porta de saída do combustível produzido nessas regiões para vários pontos do mundo. Na última terça-feira, o presidente da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar, anunciou a duplicação do terminal especializado na movimentação de celulose, Portocel, e a possibilidade da movimentação de etanol. No terminal que a Petrobras vai construir, em Barra do Riacho, para a movimentação de GLP, haverá espaço também para o embarque de etanol, avisou o gerente da Transpetro, Ronaldo Romeu Costa.
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